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Política

Moro desestabiliza Lula

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O start do ex-juiz Sérgio Moro na corrida presidencial, com sua filiação ontem ao Podemos, atemoriza e desestabiliza emocionalmente o ex-presidente Lula. De todos os adversários, é o mais temível, a princípio não eleitoralmente, mas de imediato no enfrentamento político, num debate olho no olho. Foi Moro quem coordenou a operação Lava Jato, a maior roubalheira da história recente do País. Foi Moro, igualmente, que fez Lula ser visto no País na condição de ex-presidiário.

A partir de agora, Moro tem pela frente o desafio de desmitificar a versão plantada em setores da mídia de que seu trabalho à frente da Lava Jato teve falhas em apuração, métodos e provas. Mais do que isso, de que agiu com parcialidade, como julgou o Supremo Tribunal Federal. Moro tem argumentos consistentes para contextualizar que agiu dentro dos princípios da lei, norteado pela boa fé como juiz que julgou certo, retidão e respaldado em provas irrefutáveis.

Por que o Supremo, que se apresenta como a palmatória do mundo, não suspendeu a operação Lava Jato em nenhuma das suas fases, nem tampouco impediu a prisão dos acusados, inclusive Lula? Por que, também, só concluiu que o processo de investigação teria que ser feito em Brasília e não em Curitiba tanto tempo depois, já com Lula cumprindo mais de um ano de prisão? Ora, que ministros sem brilho e sem luzes! Deixaram tudo acontecer para só depois concluir que tudo estava errado?

Dá para inferir que são todos incompetentes, cegos, incapazes de compreender o desencadeamento de uma investigação tão relevante. Se Sérgio Moro errou e não houve roubo, então todos os que fizeram delação premiada para reduzir o tamanho da pena, mediante a devolução de parte da fatia subtraída dos cofres públicos, têm todo o direito agora de exigirem a devolução. A começar, sugiro, pelo ex-ministro Antônio Palloci, homem da extrema confiança de Lula, que negociou a bagatela de R$ 100 milhões em sua delação. De onde veio tanto dinheiro, se não do roubo?

Numa fala de estadista, Moro pregou um novo Brasil quando afirmou: “Podemos construir juntos um Brasil justo. Não é um projeto pessoal. Nunca tive ambições políticas e sempre quis só ajudar, mas se para tanto for necessário assumir a liderança, meu nome sempre estará à disposição”, e acrescentou: “Chega de corrupção, chega de mensalão, chega de petrolão, chega de rachadinha. Chega de querer levar vantagem em tudo e enganar a população”.

Fim dos privilégios – Moro mencionou ainda “projetos” que estão sendo por ele desenhados, como os que tratam do fim do foro privilegiado, da prisão em 2ª instância e das reeleições para cargos no Executivo. Também citou a necessidade de combater a desigualdade, a pobreza e defendeu a educação e as privatizações.  “É mentira dizer que acabou a corrupção quando enfraqueceram as ferramentas para combatê-la”, enfatizou.

Sem citar Lula – Num dos trechos do discurso, Sérgio Moro fez uma referência a Lula sem precisar citá-lo. “Fui juiz dos casos da operação Lava Jato em Curitiba. Foi um momento histórico: quebramos a impunidade da grande corrupção de uma forma e com números sem precedentes. Julgamos e condenamos pessoas poderosas do mundo dos negócios e da política que, pela primeira vez, pagaram por seus crimes. Mais de R$ 4 bilhões foram recuperados dos criminosos e tem uns R$ 10 bilhões previstos ainda para serem devolvidos. Isso nunca aconteceu antes no Brasil.  Eu sempre fui considerado um juiz firme e fiz justiça na forma da Lei. Na época, todos diziam que era impossível fazer isso, mas nós fizemos”.

Fora de Mourão – Na contramão do presidente Jair Bolsonaro, o vice-presidente Hamilton Mourão defende a decisão do Supremo Tribunal Federal (STF) de suspender o orçamento secreto, esquema de pagamento de emendas. Para Mourão, o esquema montado pelo governo para conquistar apoio no Congresso é ilegal. “Acho que os princípios da administração pública, de legalidade, de impessoalidade, moralidade, publicidade e eficiência não estavam sendo respeitados nessa forma aí de execução orçamentária. Então, eu acho que a intervenção do STF foi oportuna”, afirmou.

Força-tarefa – Entre as medidas no campo social anunciadas por Sérgio Moro em seu discurso o destaque ficou para criação de uma força-tarefa. “Como medida prioritária, sugerimos a primeira operação especial: a criação da Força-Tarefa de Erradicação da Pobreza, convocando servidores e especialistas das estruturas já existentes. Ela será uma força-tarefa permanente e atuará como uma agência independente e sem interesses eleitoreiros, com a missão de erradicar a pobreza no país”,

Wolney recua – O líder do PDT, Wolney Queiroz (PDT), foi um dos parlamentares a votar a favor da PEC dos Precatórios no primeiro turno, gerando, inclusive, rusgas dentro do seu núcleo familiar. O pai dele, deputado estadual José Queiroz (PDT), em pronunciamento na Assembleia Legislativa, disse ter ficado “contrariado” com o posicionamento do filho e acreditava em uma mudança de postura, foi o que ocorreu. Durante a votação do segundo turno, Wolney voltou atrás em sua decisão e se manifestou contra a aprovação da proposta. Em entrevista concedida à CBN Caruaru nesta quarta-feira, o parlamentar disse que o motivo da mudança de postura “foi a preservação da unidade”.

CURTAS

DEVOLUÇÃO – O ministro Bruno Dantas, do Tribunal de Contas da União, determinou a devolução de valores gastos com diárias e passagens a procuradores da extinta Operação Lava Jato. Apontou que o modelo de funcionamento da força-tarefa ‘viabilizou uma indústria de pagamento de diárias e passagens a certos procuradores escolhidos a dedo, o que é absolutamente incompatível com as regras que disciplinam o serviço público brasileiro”.

FACHADA – Uma organização suspeita de utilizar empresas de fachada para fechar contratos de alimentação para órgãos públicos foi alvo, ontem, de uma operação. De acordo com o MP, o grupo teria movimentado mais de R$ 80 milhões em dois anos. Foram apreendidos materiais como celulares, pen drives, computadores, documentos e valores em espécie, R$ 53,5 mil em uma empresa no bairro do Cabanga, na Zona Sul do Recife. Nesse mesmo local também foram encontrados dois caminhões e pacotes de alimentos.

Fonte: Magno Martins 

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